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  • Dr. José Vicente Garcia

Autismo: conheça a história, as classificações, o tratamento e curiosidades sobre a doença


Entender mais sobre o autismo também é uma forma de tratamento da doença

O transtorno autista, uma das patologias infantis mais comentadas na psiquiatria, é envolvido por muita mística e até envolto em um tabu pelos que a desconhecem. Essa é uma patologia que afeta muitas crianças ao redor do mundo e que, por falta de conhecimento sobre a doença, ainda é encarada com ideias muito erradas.


Expressões condenatórias como “não sabe educar o próprio filho” e de piedade, como a alcunha de “coitadinho” - sendo essa a pior das expressões a condenatória - são muitas vezes atribuídas até pelos que estão próximos de alguma forma à criança portadora.


Essas opiniões preconceituosas, infelizmente, ainda são comuns.

O melhor jeito de fazer com que isso seja superado é fazer com que cada vez mais as pessoas entendam o que envolve o transtorno autista. Por isso, se você é leigo no assunto ou mesmo se já tem conhecimento sobre o autismo, continue conosco até o final do artigo e deixe sua contribuição ou dúvidas nos comentários! Siga a leitura!


Os Transtornos Globais do Desenvolvimento e suas diferentes faces


Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (T.G.D) englobavam cinco transtornos caracterizados por grave comprometimento em inúmeras áreas do desenvolvimento. Esse grupo de transtornos é caracterizado por severas dificuldades nas interações sociais, com a manifestação desse comportamento desde a primeira infância.


No Brasil são classificados de acordo com o manual diagnostico CID-10. Os diferentes diagnósticos são:

• Autismo Infantil (F84.0),

• Autismo Atípico (F84.1),

• Síndrome de Rett (F84.2),

• Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3),

• Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4),

• Síndrome de Asperger (F84.5),

• Outros TGD (F84.8)


Os critérios diagnósticos têm se baseado em três domínios, delineados na obra de Kanner, um dos pioneiros nos estudos do autismo:

a) prejuízo qualitativo na interação social;

b) prejuízo qualitativo na comunicação verbal e não-verbal, e no brinquedo imaginativo;

c) comportamento e interesses restritivos e repetitivos.


Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tendem a ter déficits na comunicação, tais como responder inadequadamente a conversação por ter um pensamento concreto e racional em prejuízo do pensamento abstrato, por exemplo: não conseguir entender provérbios como “é melhor um na mão do que dois voando”, que dependem do imaginativo e associativo para sua total compreensão.


O autista não interpreta completamente as alusões por conta de uma limitação de entendimento em relação às expressões e às interações não-verbais, como expressões corporais no interlocutor.


Além disso, quem sofre de autismo não consegue ter a percepção dos interesses dos demais, então, a menos que o que está sendo colocado na interação seja também de seu interesse, isto leva a dificuldade em construir amizades adequadas à sua idade.


Ao pararmos para pensar sobre isso, vemos que o sofrimento não é apenas de quem interage com ele, mas da própria pessoa acometida, que ao mesmo tempo que não é compreendida também tem a frustração de não se fazer compreender, desencadeando eventos de birra e até de autoagressão associados ao alto degrau de stress deste tipo de situação.


É muito comum no consultório este tipo de comportamentos descritos acima em crianças ainda pequenas. É a partir desses indícios que se levantam suspeitas e começa a investigação para se chegar ao diagnóstico, seja de autismo, seja de outros déficits intelectuais que são classificados na categoria de provisórios.


Visão do TEA ao longo do tempo


Em 1912, o termo aparece pela primeira vez. Bleuler usa o termo “autismo” – do grego auto (si próprio) e do sufixo ismo (estado) – para indicar um dos sintomas das crianças que tinham recebido o diagnóstico de “Esquizofrenia Infantil”.

Somente mais tarde, com a descrição de L. Kanner, o autismo passou a definir um conjunto de distúrbios, chamados de “Distúrbios autísticos inatos do contato afetivo” e, logo depois, uma síndrome, designada “Autismo Infantil Precoce”, nomenclatura que põe em evidência a precocidade do aparecimento das manifestações.


Ainda no início da pesquisa sobre autismo, o comportamento materno foi apontado erroneamente por Kanner como um dos aspectos determinantes da doença. Ele tem sua parcela de culpa no preconceito que perdura até hoje ao apontar a falta de afeto de algumas mães, definindo-as como “mães geladeiras”, como causa da doença. O médico posteriormente se retratou e retirou esta definição.


A partir de então, os sinais e sintomas categorizando o autismo mudaram constantemente até receberem a noção de espectro autista pela doutora L. Wing. Apoiada na descrição da Síndrome de Asperger e em suas próprias pesquisas, a psiquiatra inglesa sublinha que, dependendo da severidade e da variedade dos sintomas, a criança pode receber o diagnóstico de autismo nas diferentes faixas do espectro.


Wing baseia essa afirmação a partir da observação de três déficits comumente presentes nas manifestações do transtorno, chamados a Tríade de Wing:

a) alterações qualitativas na comunicação verbal e não verbal;

b) alterações qualitativas nas interações sociais recíprocas;

c) centro de interesses restritos, estereotipados e repetitivos.


A classificação do autismo depende da severidade e da variedade dos sintomas, com a existência do diagnóstico de autismo de alto funcionamento, com atraso severo no desenvolvimento, ou ainda podendo a pessoa com TEA se situar em qualquer outra faixa do espectro. É uma gama de comportamentos determinados em vários graus e maneiras que leva ao diagnóstico final.


A classificação atual, datada de 2013, introduz outras mudanças: a extinção dos TGDs e a criação de uma única categoria diagnóstica para os casos de autismo o “Transtorno do Espectro do Autismo”, independentemente de suas diversas formas de manifestação.


O diagnóstico é efetuado exclusivamente com base no comportamento observável, ou seja, na pratica clínica observada pelo médico em consulta, sendo uma tendência a se consolidar pela revisão a ser lançada na classificação usada no Brasil de unificar o diagnóstico em torno do espectro autista.


O tratamento para o autismo


O tratamento se dá com abordagens médicas, psicológicas e pedagógicas específicas do transtorno e passa a se constituir na eliminação ou o abrandamento dos sintomas, comportamentos que estejam sendo especialmente inadequados no sentido de impedir a sua socialização, o seu aprendizado escolar e atenuar ou impedir a existência de agressividade quando se sentir frustrado.


As pessoas com TEA são muito dependentes de suas rotinas diárias e sensíveis a mudanças em seu ambiente, como alterações na sua classe escolar ou no seu quarto, podendo ter sérios problemas quando estas rotinas são alteradas, como no período de férias escolares, quando há a mudança de residência, perda de entes queridos, entre outros.


Consequentemente, a atuação clínica médica e farmacológica associada ao tratamento conjunto da terapiacognitivo-comportamental é favorecida, uma vez que as diferentes vertentes trabalham com idêntico propósito: extinguir comportamentos inadequados e disfuncionais. Por isso, uma equipe multidisciplinar terá melhores condições de atendimento.


Compreender para garantir a qualidade de vida


A realidade da prática clínica revela que as reações de pais ao diagnóstico “espectro autista” são na maior parte das vezes impactantes sobre a expectativas e sonhos dos pais sobre o filho.


Por um lado, o preconceito que ainda cerca o diagnóstico leva muitas vezes os pais a sentirem-se envergonhados e revoltados, fazendo-os se afastarem do convívio social. Por outro, os filhos sofrem com o não saber lidar com isto e às vezes com a superproteção que os impedem de evoluir.


Tanto o erro diagnóstico como a precipitação diagnóstica acarretam graves consequências, na medida em que a direção do tratamento está diretamente associada ao diagnóstico formulado.


O quanto mais precoce o autismo for detectado, melhor será o tratamento em termos de resultado.

Por isso, a avaliação de um psiquiatra com prática na clinica com autismo é fundamental para direcionamento correto do tratamento para se obterem o melhor possível definindo o atendimento mais adequado.


Viu como entender um pouco mais sobre a doença colabora para que esse estigma seja superado e ajuda na inserção dos autistas na sociedade?


O tratamento respeitoso e inclusivo passa diretamente pela disseminação dessas informações! Então faça sua parte e compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais. Assim ampliaremos o debate sobre essa questão!