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  • Dr. José Vicente Garcia

Conheça mais sobre compulsão e as suas causas


A compulsão se caracteriza por um desejo incontrolável de realizar determinada ação

Uma queixa muito comum encontrada nos consultórios psiquiátricos é a ação de ser forçado a realizar de forma irresistível alguma coisa. Essa é a definição de compulsão.

Muitas vezes ela é associada à ansiedade, à depressão, à bipolaridade e a tantas outras patologias.


Compulsões relacionadas ao consumo de drogas ou álcool e à alimentação são as mais conhecidas, porém podem se apresentar de várias formas. O comportamento compulsivo é acompanhado de muito sofrimento psíquico e o ato de realizar aquela compulsão traz alívio imediato.


A Organização Mundial de Saúde considera o vício como uma doença física e psicoemocional. Para a psicologia essa é uma fuga emocional em que a pessoa encontra refúgio contra a dor por meio de um prazer perene, muitas vezes até instantâneo, e que deixa um rastro destrutivo após esse momento.


Um ponto que é comum, independente da abordagem e da definição que se dá para esse mal, é de que a compulsão precisa ser tratada. Vamos conhecer outras formas de manifestação da doença e suas causas antes de falarmos do tratamento?


A compulsão advém de um problema emocional


Na grande maioria dos casos, o vício se desenvolve para ocupar um vazio emocional ou para suprir uma necessidade que a pessoa desenvolveu. São muitos os motivos para que esse vazio emocional se instale. Desde de traumas na infância até a busca por status.


O fator genético e o contato com alguém muito próximo que tenha tido problemas com compulsão são outros aspetos importantes. Vivenciar esse comportamento em um ente querido pode ter uma grande influência em quem tem essa pessoa como referência e fazer com que essas ações sejam repetidas.


Essa lacuna na vida pessoal reflete em baixa autoestima e desejo de preencher esse vazio com coisas externas - como um mecanismo de recompensa -, isso leva a um comportamento destrutivo. Dificuldade de relacionamento, complicações financeiras e prejuízos emocionais são algumas das consequências do comportamento compulsivo.


Os vícios vão além das drogas e do álcool


Os vícios são os mais diferentes possíveis. Você deve ter ouvido algum caso de alguém que perdeu todo o patrimônio no jogo, ou então de alguém que diz não conseguir levar uma vida monogâmica e manter uma parceira ou um companheiro fixo. Essas são duas compulsões muito recorrentes: jogo e sexo.


O culto por um corpo perfeito também é uma forma de compulsão. Com a ditadura da magreza e a idolatria em torno de modelos ou musas fitness, as quais são apontadas com referência de beleza, isso só aumentou. A compulsão pela estética é algo muito presente nos consultórios em uma sociedade que se importa tanto com a aparência como a nossa.


O consumo também assumiu um protagonismo nos problemas de comportamento compulsivo.

Se com as lojas físicas já existiam diversos casos de gastos exorbitantes e pessoas que não conseguiam honrar as compras e acabavam complicando suas vidas, agora com o ambiente de compras virtuais isso tomou uma proporção ainda maior. Com apenas um clique é possível fechar uma compra e, em muitos casos, você ainda ganha um cartão de crédito com anuidade grátis daquele estabelecimento.


Isso nos leva a outra compulsão que surgiu mais recentemente. A dependência excessiva da tecnologia. Esse mal vem afligindo parcelas cada vez maiores da população mundial. Se você não consegue passar uma hora sem checar suas mensagens ou perfis da rede social e se sente totalmente desamparado se a bateria do seu celular descarrega, fique atento.


A compulsão é caracterizada por um desejo muito forte, um anseio incontrolável de realizar determinada ação.

Geralmente essa ação é sucedida de um sentimento de culpa tão forte quanto e, para remediar essa sensação ruim, a ação é repetida com o objetivo de gerar um momento de prazer e a consequente de fuga desse mal-estar. Assim se configura o círculo vicioso da compulsão.


Na maioria dos casos, a compulsão vem acompanhada de outra patologia. Estudos comprovam que cerca de 60% das pessoas que tem compulsão também apresentam sintomas depressivos; a bipolaridade também é conhecida como a doença dos excessos, onde em uma crise maníaca o paciente tem um sentimento de poder tão inebriante que não mede consequências; e assim por diante. Por isso, é importantíssimo buscar ajuda especializada em casos de comportamento compulsivo.


Compreendendo o funcionamento das vias dopaminérgicas


Na presença de um estímulo como álcool, drogas, doces e outros, há uma liberação do neurotransmissor chamado dopamina que ocasiona uma grande sensação de bem-estar provocando a ativação deste sistema, responsável por detecção de estímulos ambientais de reforço positivo, por exemplo: quando eu como doces e açúcar, isso me dá prazer.


Com isso fica gravado no meu cérebro “que açúcar é bom e agradável, faz bem e traz alívio e bem-estar”, influenciando assim em áreas que controlam funções cognitivas (percepção, raciocínio lógico, memória, etc) e emocionais alojadas entre outros locais no córtex órbito frontal que tem importante participação no controle dos impulsos e da tomada de decisão.


O tratamento para comportamento compulsivo


É preciso ir afundo da questão para que o tratamento seja efetivo. Uma medida muito importante é lidar com a questão comportamental. A redução e a suspensão, quase que na totalidade das vezes sendo a opção ideal, de qualquer atividade relacionada à compulsão é o pontapé para o tratamento que, além das mudanças comportamentais, deve ser acompanhado com medicações.


Nesse momento, é fundamental que o médico e a família deem todo o suporte, pois o paciente terá que superar os desejos mais profundos e pode até regredir, apresentando comportamento infantil, para conseguir ter acesso ao seu vício.


Manter o acompanhamento de um psicoterapeuta e do médico é fundamental mesmo e especialmente após apresentar melhoras, pois é comum abandono de tratamentos nesta fase.


No trabalho em conjunto com o psiquiatra, o psicoterapeuta ajudará o paciente a refletir sobre o que causa esse vazio emocional e entender pelo que está passando fará com que ele assimile melhor o porquê precisa de tratamento. Quando a inteligência emocional aumenta, a pessoa aprende a lidar melhor com seus sentimentos e a controlá-los.


Os grupos de apoio são comprovadamente uma terapia extremamente eficiente.


Se comprometer com o grupo pode fazer toda a diferença

Além de ouvir histórias com as quais se identifica e de conviver com pessoas na mesma situação, o compulsivo assume um compromisso com o grupo de se manter longe do seu vício. Esse comprometimento tem um poder muito grande e mantém o paciente firme em seus propósitos.


Por fim, é preciso entender que o medicamento é um dos pilares do tratamento. Os psiquiatras têm a experiência necessária para definir qual a melhor abordagem para cada caso individualmente. Com o acompanhamento nas consultas, ele saberá adequar as doses e substituir a sua medicação se achar necessário.


É preciso colocar que na saúde mental o diagnóstico não é tão simples de ser confirmado quanto nas patologias físicas, onde um exame de imagem pode corroborar a opinião do médico, por exemplo. Por isso, encontre um psiquiatra que lhe trate com respeito e no qual você confie e dê o tempo necessário para que ele encontre o tratamento ideal para o seu caso.


As questões da saúde mental são todas partes do escopo de atuação da psiquiatria. Se você tem interesse pela área e quer saber um pouco mais sobre isso, confira também este breve histórico da psiquiatria! É só clicar e boa leitura.