Agende sua consulta
(43) 3328-8484
  • Dr. José Vicente Garcia

Saiba como identificar e tratar a depressão em crianças


É preciso muita atenção aos sinais das crianças, pois elas ainda não reconhecem os sintomas, os entendem como coisas naturais

Um dos maiores desafios na depressão é reconhecer a doença. Muitas vezes um sentimento grande de tristeza toma conta da gente por diferentes motivos. Uma perda de alguém querido, o final de um relacionamento ou qualquer evento atípico que afete nosso dia a dia sem que possamos relacionar a qualquer causa.


A tristeza, de forma isolada, não é necessariamente depressão. Aproximadamente 20% das mulheres e 12% dos homens desenvolvem a doença, mas ela se manifesta não apenas pela tristeza profunda. Alguns dos sintomas nos adultos que acompanham essa sensação são:


  • Humor deprimido, desinteresse por todas ou quase todas as coisas que gosta de fazer;

  • Falta de energia;

  • Perda ou ganho de peso excessivo sem estar de dieta;

  • Perturbação no sono, tanto a insônia como o excesso de horas de sono;

  • Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias;

  • Pensamentos sobre morte e suicídio;


Esses sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Em adultos, a percepção desses sintomas é mais fácil, pois eles reconhecem essas alterações e os mais próximos que também percebem os sintomas o aconselham a procurar um bom psiquiatra.


Já a criança, que ainda não tem a percepção da depressão nem do que é estar doente, vivencia esse sofrimento como uma coisa natural. Por isso, é importante saber como os identificar para buscar a ajuda com um médico psiquiatra.


Os sinais da depressão em crianças


Os comportamentos das crianças são um “termômetro” para descobrir a depressão e o grau de gravidade da doença. Por natureza, as crianças têm o hábito de explorar o ambiente em que estão inseridas. A descoberta move os pequenos e por isso, essa tendência à curiosidade e à atividade.


Quando os filhos estão inseguros eles perdem esse desejo e ficam retraídos. Se a criança está muito introspectiva e tem grande dificuldade em se separar dos pais, avós ou qualquer pessoa de referência, pode ser um sinal de que algo não está bem e que a depressão está se instalando.


Se seu filho passa o dia todo mais quieto a ponto de você não o perceber, ou seja, não chama a sua atenção como normalmente os pequenos fazem, mas à noite esse comportamento muda, fique atenta. A noite é o período do dia em que os medos afloram, por isso a criança chora, busca acolhimento e não quer dormir sozinha.

Crianças inseguras tendem ao isolamento; seu comportamento é excessivamente introspectivo

Os sintomas físicos também se manifestam. Dores de barriga ou de cabeça constantemente, dificuldade para se concentrar nos estudos, distúrbios na alimentação e no sono apontam para a existência de alguma coisa errada.


Tiques nervosos, irritabilidade reativa a pequenos eventos e tensão muscular também podem fazer parte dos sintomas físicos. Esses reflexos na saúde física podem ter origem emocional e é uma forma do corpo avisar que alguma coisa não vai bem na criança.


O urinar na cama que não cessa com a idade, ou da criança que volta a fazer, especialmente se já tenha aprendido a controlar a urina, também deve ser observado com muita atenção.



Crescer é um desafio constante


O crescimento é motivado pelos desafios. É perfeitamente normal em situações inéditas que as crianças se retraiam, mas conforme se familiarizam com a ideia elas têm a iniciativa de encarar e superar os obstáculos, seja a ida para a escola, seja ir dormir na casa de um amigo pela primeira vez, por exemplo.


Sintomas emocionais, como a hipersensibilidade no afeto - “se magoam facilmente” -, a impaciência e irritação excessiva, crises de choro ou ansiedade desproporcionais e medo acima do esperado costumam se manifestar em situações que estejam estressando a criança.


Entenda que se os meninos e as meninas não enfrentam os desafios é porque sua autoconfiança está afetada e eles se sentem incapazes. Isso tem reflexo na autoestima e também é um sintoma de depressão infantil.


O tratamento da depressão em crianças


O primeiro passo no tratamento para depressão infantil é que os pais não racionalizem a questão com pensamentos como o de dizer “é da idade, logo passa”. É preciso entender que o comportamento da criança está relacionado ao lado emocional se manifestando como sintomas.


Porém, isso não quer dizer que uma criança que é mais quieta esteja doente. Mas fique atento aos sinais, pois a maior parte das vezes, quando a criança realmente deprimida, aparecem mais que um e ao mesmo tempo.


Fique atenta aos indicadores que trouxemos acima. O cuidado constante em observar os sinais e os sintomas farão com que as crianças recebem o cuidado o mais rápido possível.

Procurar o psiquiatra levará ao diagnóstico ou não de uma depressão na criança, se for, aliviará o sofrimento e ajudará no desenvolvimento saudável na infância. Se existe um histórico de depressão na família é preciso redobrar o cuidado. O componente genético é um dos fatores que aumentam as chances e que deve ser levado em conta.


Na consulta psiquiátrica é quando o especialista conhecerá suas preocupações com o seu filho e definirá a abordagem mais adequada para a situação em que ele se encontra. O diálogo tanto com os pais quanto com a criança é determinante para o diagnóstico.


É a partir dele que se constrói a confiança e que o médico colhe as informações necessárias. Para as crianças pequenas convêm que os pais agendem e venham em consulta prévia. No caso de adolescentes, eles podem passar por consulta primeiro e os pais depois e seguirem juntos nos próximos encontros.


A medicação é um dos pilares do tratamento. Geralmente as crianças respondem a ela mais rápido do que os adultos. As doses são adequadas à idade e tanto a introdução quanto a retirada são feitas lentamente e de forma progressiva.


Por isso, de forma alguma você deve incluir ou retirar medicamentos por conta própria no tratamento da criança, bem como só utilizar essa classe de medicação e ajustar as doses com uma avaliação psiquiátrica.

A psicoterapia também é muito recomendada na depressão em crianças. Os melhores resultados se obtêm com ambos os tratamentos concomitantemente, não havendo o predomínio entre psiquiatras e psicólogos, e sim um trabalho conjunto.


Além do olhar médico, trabalhar o entendimento das emoções ajudará a criança a compreender pelo que ela está passando. Entender o que está acontecendo é essencial.


Por fim, não entenda a depressão como uma doença de adultos. Cerca de 1% das crianças em idade pré-escolar e quase 2% das crianças em idade escolar, além de 4,7% dos adolescentes, apresentam transtornos depressivos.


A depressão é uma doença como qualquer outra. Então preste atenção no comportamento da criança, converse bastante com ela e, em caso de identificar os sinais suspeitos de uma depressão infantil, não hesite em procurar o psiquiatra.


Se você gostou do conteúdo, compartilhe este post nas suas redes sociais. Colabore para que mais pais tenham acesso a estas informações e saibam como identificar e tratar a depressão em crianças!

1 comentário